Fórum Social Mundial 2005
Porto Alegre

O MV-Brasil (que sabe qual é a única saída para tirar o Brasil dessa situação) enviou patriotas ao FSM 2005 para abrasileirá-lo, levando as cores do Brasil a um evento, que entendemos ser uma outra face da globalização.

Leia mais abaixo as narrativas de integrantes do MV-Brasil que estiveram no Fórum em Porto Alegre.


SALDO DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Tive a oportunidade de participar do Fórum Social Mundial de 2001, realizado em Porto Alegre. Foi uma das maiores experiências de minha vida. O encontro ao ar livre com pessoas de todos os cantos do planeta, a maioria buscando ansiosamente uma alternativa ao neoliberalismo transnacional. Aquele encontro de tantas nacionalidades diferentes na busca de um objetivo maior gera uma euforia coletiva que é difícil descrever para quem não teve a oportunidade de estar lá. Senti-me  20 anos mais novo, com capacidade redobrada de sonhar e conquistar algo melhor.

Mas a catarse coletiva e a diversão, que foram as tônicas do encontro, não foram - ao menos nominalmente - os objetivos oficiais daquele encontro. O objetivo propalado era o de propor uma alternativa ao neoliberalismo. Nada vagamente parecido com isso aconteceu em Porto Alegre em 2001. Após uma infinidade de palestras e seminários sobre temas muito díspares entre si, que incluíam desde a guerrilha na Colômbia até os transgênicos na agricultura e, não consegui descobrir como, por culinária e origami, foi chamada uma plenária final com o objetivo de se divulgar uma conclusão do encontro. Na hora marcada fui até a sala onde aconteceria a plenária final e, para minha surpresa, em lugar de encontrar um debate sobre todos os temas propostos, vi uma peça teatral - que não estava agendada - ser apresentada.

Apesar de toda a euforia e a diversão que foram a tônica do Fórum de 2001, não pude deixar de me sentir frustrado após o encerramento, frustração essa que, pelo que pude ver, compartilhei com diversos participantes que lá encontrei vindos de várias partes do mundo. Afinal, não fui lá para me divertir. Pensei que talvez fosse por ter sido a primeira vez. Afinal, os organizadores ainda não tinham experiência de realizar algo assim. Talvez - pensei - no ano que vem eles consigam aparar algumas arestas e chegar ao objetivo a que se  propuseram. 2002 chegou e, embora eu não tenha ido pessoalmente nesta versão do Fórum, tenho contato com pessoas que foram. Seus depoimentos coincidem com o meu: muita diversão, muita euforia, mas nenhuma discussão séria e prática. O mesmo se deu em 2003 e 2004, desta vez na Índia. Acabamos de testemunhar a 5a versão deste encontro, neste fevereiro de 2005. É a hora de perguntar: pra que isso tudo? Afinal, em nome de que tantas pessoas vindas de locais tão distantes se reuniram tantas vezes? O que foi produzido?

Em 2006 teremos uma nova versão deste evento. É o que anunciam seus organizadores. Agora, escorado na experiência de 5 versões desses encontros está na hora de exigir umaexplicação: Afinal, qual é o objetivo de toda essa movimentação? Os primeiros 5 encontros não produziram nada senão uma grande encenação. O 6° produzirá algo além disso?

É uma técnica bem descrita na literatura, a de, o grupo que está na situação, criar movimentos de oposição a si próprio para, com isso, controlar não somente a situação mas, também a oposição a seus governos. Usando a máquina que controlam, criam oposições bem aparelhadas, as quais inibem o nascimento de movimentos oposicionistas autênticos, porém com pouca estrutura própria. Destarte, chamam os donos do poder os oposicionistas para seu próprio controle, matando a possibilidade de oposições verdadeiras terem um canal próprio. Será que não foi a isso que assistimos em Porto Alegre?

Mário Villas-boas
Membro do Conselho dos 12 do MV-Brasil

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