CARTA
ENVIADA AO NEW YORK TIMES PELO
DEPUTADO
ALDO REBELO - PRESIDENTE DA
CREDN
DA CÂMARA FEDERAL
Sr. Editor,
A matéria publicada neste jornal, no dia 01 de outubro de 2002, sob o título "Uma Nova Intrusão Ameaça Tribo na Amazônia: Soldados" sobre a relação entre o Exército brasileiro e as populações indígenas da Amazônia revela uma preocupação importante deste jornal com o bem-estar das populações indígenas brasileiras, igualmente compartilhada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Permita-nos, entretanto, observar que as informações publicadas levam a um juízo injusto e desinformado a respeito do papel das Forças Armadas, particularmente do Exército, em relação às populações indígenas do norte do Brasil.
Devo afirmar, a bem da verdade, que nenhuma instituição brasileira fez e tem feito tanto em defesa dos povos indígenas, da sua cultura, da sua preservação, quanto as Forças Armadas do nosso país. Cabe ressaltar que um dos mais destacados integrantes desse Exército, o Marechal Cândido Rondon, ele próprio neto de uma índia bororo, criou a frase que marca a atitude de nossos soldados diante dos povos indígenas: "Morrer se for preciso, matar nunca".
Na condição de integrante da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, tive a oportunidade de verificar o trabalho de nossos soldados ao longo da nossa fronteira e da calha dos rios da Amazônia, sempre salvando vidas e protegendo os povos da floresta.
É preciso destacar que a maior parte da tropa de nossos batalhões de fronteira é formada de índios-soldados e não há como nem porque impedir o contato com seus semelhantes nas aldeias e florestas quando fora de suas funções militares. Posso lhe asseverar que os abusos e transgressões são rigorosamente investigados e punidos pela hierarquia das Forças Armadas e pode ter certeza de que todos nós estamos igualmente atentos para que não ocorram e nem fiquem impunes.
Destacamos, ainda, que a presença de unidades militares nas reservas indígenas é necessária não apenas para a defesa da soberania de nosso país, como para a própria segurança, bem-estar e preservação da cultura das populações indígenas. Sua ação se limita à defesa da integridade do território e à assistência médica e social aos povos indígenas, coibindo dessa forma, a penetração de aventureiros de todo o mundo interessados na exploração das riquezas locais. Ressaltamos, portanto, que a presença do Exército nessas áreas tem o irrestrito apoio e estímulo desta Comissão.
Agradecemos a preocupação de vosso jornal com o bem-estar de nossos compatriotas indígenas e reafirmamos que resguardados os princípios da soberania de nosso País é esta a mesma preocupação de nossas Forças Armadas e da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Deputado
Aldo Rebelo
Presidente
da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional