Situação
post mortem das Organizações Globo
Vejam o que os nossos mandatários estão pretendendo fazer.
Por: Paulo Henrique Amorim
O governo Lula tem três problemas a resolver com as Organizações Globo:
O primeiro é a dívida impagável. As operações da Globo não geram receita capaz de pagar a dívida.
O segundo é como vai ser feita a publicidade do governo. A Rede Globo tem 50% da audiência e 78% da verba publicitária em televisão, e 50% da verba vêm do governo. A concentração se explica pela benevolência dos governos com a Rede Globo, dos militares a FHC.
O terceiro, que também contribui para a concentração, é o BV - a bonificação de volume, mecanismo pelo qual quanto mais um cliente anuncia na Globo mais dinheiro ganha a agência de publicidade. O BV é um bom negócio para a agência e a Globo, mas péssimo para o anunciante. Se o anunciante é o governo, o prejudicado, é claro, é o contribuinte.
Haveria um quarto problema: a Lei de Comunicação Eletrônica de Massa, para a qual há um excelente projeto de autoria de Sérgio Motta, mas que, por motivos que não consigo perceber, sumiu na mesa dos ministros que o sucederam. Seria a lei que democratizaria a televisão: para dar voz à oposição e às minorias. Porém, nenhum profissional de televisão de bom-senso imaginaria que o governo Lula mandasse procurar o projeto de Sérgio Motta.
Vamos falar dos problemas que o governo Lula não poderá evitar.
Sobre o BV e a política de publicidade oficial: não há qualquer indício de que o governo Lula pretenda mudar nada. Aliás, até agora, o governo Lula não mudou nada na matéria. Conseguiu uns descontos aqui e ali, mas no mercado atual, conseguir desconto não chega a ser uma proeza.
Sobre a dívida
A Globo não tem como pagar. O governo Lula vai ter que ajudar. Diante da inequívoca demonstração política que deram o presidente da República e seis ministros de Estado no enterro de Roberto Marinho, está claro que a ajuda será substanciosa.
Aqui, então, caberia uma sugestão. Que os Conselhos de Contribuintes da Receita Federal expedissem uma recomendação: impedir que o Ministro Antonio Palocci participasse da negociação desse "calotaço". Ele foi o único político que disse que Roberto Marinho "foi fundamental para a construção da democracia brasileira".
Nem o ministro Miro Teixeira, que conviveu com Roberto Marinho na política do Rio; nem José Sarney ou Antonio Carlos Magalhães, que conviveram com Roberto Marinho, AC e DC, foram capazes de tal ousadia.
Talvez porque, na transição de um regime para outro, o ministro fosse trotskista e prezasse a democracia burguesa tanto quanto o elogiado.