Jornal do Brasil - Caderno B - 04/02/2001
Um arrastão para resgatar a língua
Adilson Pereira

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O pessoal do Movimento Pela Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil parece até disposto a rir, mas só depois de conseguir - não com piadas, mas com panfletagem, cursos e distribuição de livros, entre outras empreitadas - a transformação do cenário que enxergam entupido de estrangeirismo. É um grupo que se declara, hoje, atuando com 50 pessoas mas com um catálogo de outras 700 que se identificam com a causa e prontos para agir. A causa se tornou visível para os cariocas pelos cartazes espalhados pela cidade, em que aparecem riscadas expressões escritas em inglês. Do lado de cada uma delas, o equivalente em português, sugerindo que se opte pelo similar nacional. "Valorize o idioma nacional! A liberdade começa na língua", lê-se também no rodapé da peça produzida pelo grupo que não se considera de direita ou de esquerda mas, apenas nacionalistas.
"Éramos um grupo de 12 pessoas, estudantes e variados profissionais. Panfletamos e anunciamos nossa intenção de protestar diante da inauguração daquela falsa estátua da liberdade na Barra. A língua é tudo. Um povo sem língua nativa é um povo sem alma", declara Wagner Vasconcelos, de 35 anos, estudante de direito da UFRJ e que se define como "ativista político cultural voluntário de carreira".
O grupo, que também espalha cartazes em que USA aparece riscado e seguido pela frase "resistir é preciso", espera produzir nos próximos meses, "financiado pelo povo", livros e cartilhas que despertem a atenção dos cariocas (e depois dos nativos de outros estados) para a importância da manutenção da língua portuguesa e de outros ícones da cultura brasileira. Quem quiser saber um pouco das propostas deles poderá encontrá-los em sua reunião de hoje em Copacabana, (no Posto 2, a partir das 17h), para o que chamam de "arrastão cultural".