Jornal do Commercio - Cultura - 29/04/ 2001

Em defesa da língua
Projeto de Lei que inibe o uso de estrangeirismos será votado no Senado

Bianca Tinoco e Marcos Hecksher

Depois das florestas, rios e prédios históricos, chegou a vez de o Brasil lutar pela preservação de outro patrimônio nacional: a língua. Para o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), é preciso proteger o português dos "estrangeirismos" (termos estrangeiros), adotados muitas vezes para envolver práticas nacionais de suposta sofisticação. Ele não é o único a se preocupar: o projeto de Lei nº 1.676 de 1999, elaborado pelo deputado para restringir o uso de expressões de outros idiomas, foi aprovado no Congresso e aguarda a avaliação do Senado para entrar em vigor

- O projeto não recebeu nenhum voto contra no Congresso, e não existe razão para ser diferente no Senado - acredita o deputado Aldo Rebelo. "A mistura de línguas exclui quem não conhece o idioma estrangeiro. Há pessoas que pensam que "delivery" em restaurante é tipo de comida", conta o deputado. (...)

Enquanto a decisão sobre a lei não acontece, o grupo MV-Brasil já distribuiu mil cartazes pelo Rio de Janeiro, apelando para que as expressões estrangeiras sejam trocadas por similares nacionais, com o lema "Resistir é preciso". Criado em 2 de novembro de 1999, quando manifestantes cercaram a Estátua da Liberdade na inauguração do shopping New York City Center, na Barra da Tijuca, o movimento tem bases no Rio e em Brasília e quer esclarecer a população sobre como a influência externa prejudica a cultura e a economia nacionais.

- Existe uma ponte entre língua, cultura e economia, pois o idioma e a cultura se revertem em riquezas. Queremos propor uma micro-revolução na vida das pessoas, para que cada uma decida pelos valores brasileiros na parte lingüística, cultural e econômica - explica Wagner Vasconcelos, que é estudante de direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos fundadores e membro do conselho diretor do MV-Brasil.

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