Discurso de Wagner Vasconcelos, um dos fundadores e conselheiro do MV-Brasil, na Homenagem ao 120º aniversário do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Estavam presentes, figuras como: O Governador de Minas Gerais e Ex-Presidente Itamar Franco, o Governador Leonel Brizola, o Tenete-Brigadeiro Ivan Frota, o General de Exército Luiz Gonzaga Schroder Lessa, o Presidente do CREA-RJ Dr. José Chacon de Assis, o Deputado Chico Alencar, vários vereadores, entre outros nomes importantes da política e da sociedade carioca e brasileira.
Diário Oficial da Câmara Municipal do Rio de Janeiro- 24/05/2001
PLENÁRIO
CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE
JANEIRO
SOLENIDADE
REALIZADA EM 14 DE MAIO DE 2001.
(Homenagem aos 120 anos do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro)
(...)
O SR. WAGNER VASCONCELOS
Autoridades que compõem a Mesa de Honra, senhoras e senhores Engenheiros, Sr. Presidente, eu gostaria de, em seu nome, levar considerações a todos os membros da mesa.
Nós gostaríamos antes de mais nada, de entregar à Mesa de Honra, ao Sr. Presidente e ao Srs. Governadores Brizola e Itamar Franco um presente, uma bandeira, como é de praxe. Esse movimento é bem visual, é material. E a bandeira está aqui. Eu vou entregá-la ao Sr. Itamar e ao Sr. Brizola.
(É feita a entrega da Bandeira Brasileira com os seguintes dizeres: "Reaja Povo Brasileiro")
(Os senhores Brizola e Itamar Franco exibem a Bandeira)
(PALMAS)
O SR. WAGNER VASCONCELOS - É a Bandeira da Pátria, e a juventude está fazendo uma homenagem aos Engenheiros Leonel Brizola e Itamar Franco.
A razão por que não ocupamos a Tribuna num primeiro momento é que nós acreditamos muito em ação, o discurso desvinculado da ação é inerte. E, ainda dentro desse campo, dessa idéia de ação, eu trouxe mais um item visual, material, e tenho uma pergunta a fazer ao Sr. Itamar Franco, Governador de Minas Gerais.
(O Sr. Wagner apresenta o minério hematita ao Sr. Governador Itamar Franco)
O SR. WAGNER VASCONCELOS - Eu gostaria de dizer que o Sr. Itamar Franco tem uma familiaridade muito grande com o que está dentro desta xícara. O senhor, obviamente, sabe o que é isto, Governador: é hematita, o Brasil é o maior produtor e exportador desse minério, no planeta. Nós temos reservas, provavelmente, para 400 anos. Não é isso? E esse minério, inclusive, é das Minas Gerais. Sabem por quanto o Brasil exporta este minério? Nós fizemos essa pergunta numa palestra para os estudantes, e um dos estudantes respondeu: "Provavelmente, por preço de banana". Eu quase concordei com isso. Fomos verificar quanto era a tonelada da banana, e comparamos os preços. A tonelada da banana na fonte, nas fazendas, é vendida por R$150; nosso minério de ferro, que é a base da indústria de capital do mundo, é vendido por R$15 a tonelada - um décimo do preço da banana no mercado internacional. Então, isso é um exemplo de como a riqueza nacional vem degenerando.
Isso é um exemplo econômico. Eu gostaria, aqui, de dar só mais um exemplo. Esse exemplo, agora, é de abuso cultural. É necessário que mostremos as coisas em ato concreto para que as pessoas não esqueçam.
O Art. 13 da Constituição Federal diz que a língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Obviamente, a nossa língua é um patrimônio inviolável, que deveria ser resguardado por toda a sociedade. Aqui estou com o jornal impresso periodicamente por esta Casa: olhem o título dado ao jornal: "Press Clipping". Quem é o responsável por isso? É óbvio que o indivíduo que faz isso se submete lingüisticamente, portanto vai se submeter também economicamente. Quem degenera a língua, vai degenerar a cultura do país, vai degenerar a economia do país, porque cultura, língua e economia são três irmãs gêmeas, estão sempre de mãos dadas.
(PALMAS)
Desculpem não ter ocupado a Tribuna, mas a gente acredita mesmo em ação, e conta com coisa concreta: discurso para as paredes não tira o Brasil da situação em que está, não o recompõe, não põe o Brasil de volta nos trilhos do progresso. Temos, de fato, de reagir. Os crimes de lesa-pátria cometidos pelo Governo Federal estão à mostra. Não há mais nada que fazer, a não ser a ação.
Queremos, para encerrar conclamar os engenheiros do Brasil a não desistirem, a não fazerem Direito, como lá na minha universidade, onde há vários engenheiros fazendo Direito. Não façam Direito! Não façam! Não busquem outra profissão. Resistam, e vamos reconstruir este país com a engenharia e com a ciência nacionais. E o nosso Governador Leonel Brizola, uma figura histórica, quando o povo resgatar o controle do País, quando a sociedade brasileira progredir, vai, de fato, ser reconhecido como uma das grandes figuras da história nacional.
Eu queria só dizer que, há pouco tempo, li nos jornais que o senhor havia denunciado os crimes de lesa-pátria cometidos pelo Presidente da República e havia sugerido o fuzilamento do Presidente, depois de passar por um tribunal popular. Não. Não se deve fuzilar o Presidente. Pode até ser que ele vá para o paredão, pode até ser. Mas, aproveitando que o país é rico em gás natural, que está sobrando gás natural, recomendo que usemos nele o lança-chamas! Da direita para a esquerda, da esquerda para direita, como o pêndulo da história, e, depois, eu chamaria o senhor para ir com a gente lá soprar o esqueleto.
Muito obrigado, senhores.
(PALMAS)
O SR. PRESIDENTE (RICARDO MARANHÃO) - Wagner, eu agradeço sua contribuição e queria lhe dizer, em defesa da Casa, da Câmara Municipal, que nós já estamos trabalhando - temos o apoio dos membros da Mesa Diretora e dos nossos companheiros Vereadores - para trocar o nome dessa resenha da imprensa, para deixar de ser "Clipping News". Vamos usar o português, porque, como dizia Olavo Bilac, uma nação entra em decadência quando perde o respeito por seu idioma. E nós não vamos perder o respeito pelo nosso idioma. (...)