Jornal Povo - 08/09/2003

Desfile da Independência não empolgou este ano

Povão vaiou a governadora Rosinha e integrantes da Guarda Municipal

Vaias e aplausos marcaram o desfile cívico-militar de comemoração ao Dia da Independência do Brasil, ontem, no Centro do Rio, assistido por pelo menos seis mil pessoas. Ao lado do arcebispo do Rio, cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid, do filho Wladimir e vestindo um terno caqui, a governadora Rosinha Matheus foi vaiada ao chegar e sair do Pantheon de Duque de Caxias, de onde assistiu a passagem de 5400 militares e civis do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, além do Corpo de Bombeiros, da Guarda Municipal e das polícias Militar e Rodoviária Federal.

As apresentações do comandante geral do evento, general Paulo Roberto Laranjeiras, e do grupamento de bandeiras iniciaram o desfile na Av. Presidente Vargas, às 9h30min. Momentos antes, aconteceram a apresentação do coral da Universidade Gama Filho, o acendimento do fogo simbólico da pátria e uma salva de 21 tiros da Artilharia de Campanha do Exército. Não houve incidentes, exceto quando um grupo de pessoas invadiu um trecho da avenida, pensando que a parada havia terminado. O público, no entanto, assistiu sem muita empolgação ao desfile, que este ano não contou com show aéreo de aviões e caças, nem com veículos militares motorizados.

A novidade ficou por conta de uma bandeira nacional com 2.400 metros quadrados, cobrindo oito andares do Palácio Duque de Caxias. A bandeira foi feita em parceira entre o Comando Militar do Leste e o Movimento pela Valorização da Cultura (MV-Brasil), que a denominaram como a maior já produzida no País. Os momentos mais aplaudidos foram os das passagens dos grupamentos femininos, de veteranos e ex-combatentes e do Corpo de Bombeiros, além das companhias de cães e das crianças da associação beneficente Rio Criança Cidadã. Assim como a governadora, a Guarda Municipal também recebeu vaias. O desfile foi encerrado às 11h30min e o trânsito da Presidente Vargas liberado momentos depois.

- Venho todos os anos e desta vez senti falta dos aviões - lamentou a auxiliar de tesouraria Ana Márcia Batista, 29 anos, que levou as filhas de 9 anos e uma prima de 6 anos, para assistir o desfile.

- O desfile esse ano foi fraco, inclusive para as vendas. Vendi poucas bandeiras, mas valeu à pena pela passagem do hipo-móvel - disse Amair Marilac de Queiroz, 47, referindo-se ao grupamento do Regimento da Escola de Cavalaria, que no final cortou a avenida encenando a Proclamação da República.

O coronel Marcos Silva, comandante das Unidades Especializadas do Corpo de Bombeiros, não escondeu a emoção.

- Chorei. Foi muito lindo e me senti honrado em poder participar. — disse o coronel, que ano passado estava exonerado do cargo e não pode desfilar.

Lição de patriotismo

Entre os que assistiam à parada havia quem apenas queria passear no domingo de sol e quem realmente pretendia demonstrar seu amor ao Brasil ou despertá-lo nos filhos. Vestindo o uniforme da Seleção Brasileira de futebol e usando um capacete em homenagem ao piloto de Fórmula-1 Airton Senna, o paraibano Antônio Fernandes de Freitas, de 75 anos, mostrou a que veio.

- Acompanho nossas Forças Armadas desde o final da II Guerra Mundial. Prestigio os desfiles da Independência porque aqui não vejo preconceito de raça, sexo ou credos. Todos que participam defendem nosso País e têm a postura que falta a muitos brasileiros — disse Antônio.

- Amo o Brasil - concluiu.

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