 |
|
| Sítio
apresenta personagens do folclore paraense |
Acontece
em Belém (PA) entre os dias 24 e 31 de outubro, a Semana de Comemorações
das Visagens dos Personagens do Folclore Paraense, mais conhecida como
“Matinta Perera”. O evento é uma tentativa de contraposição às
comemorações norte-americanas do Halloween (Dia das Bruxas) celebrado
no dia 31 de outubro.
O
projeto que criou a semana é de autoria do Vereador Paulo Fonteles,
PCdoB, e tem o objetivo de promover atividades que divulguem a cultura
regional. A iniciativa já recebeu parecer favorável de todas as comissões
da Câmara Municipal de Belém e em breve, deve ir a votação.
Embora
existam comemorações dedicadas ao folclore amazônico, ainda são
insuficientes as que conseguem envolver a sociedade. Por isso, a Semana
Matinta Perera pretende resgatar os personagens e facetas importantes
para os paraenses através de atividades lúdicas realizadas em escolas
municipais.
A
programação da semana teve início com o 1º Seminário Matinta Perera
de Valorização da Cultura Amazônica, atividade que reuniu 300
participantes, entre alunos de escolas municipais, universitários,
professores, além grupos folclóricos e artistas. Será realizado ainda
na próxima sexta-feira (31 de outubro), data em que se comemora o
Halloween, o grande baile da “Matinta Perera”.
Para
Paulo Fonteles, é necessário que as próprias direções das escolas
estimulem a curiosidade dos alunos pelos personagens do folclore da Amazônia.
“Precisamos combater a cultura do mal imposta pelos norte-americanos,
que é disseminada no país através das escolas de língua inglesa.
Temos que valorizar o nosso folclore, pois um povo sem cultura é um
povo sem memória”, afirma o vereador.
Matinta
A
lenda da Matinta Perera conta que ela é uma mulher que mora no mato ou
nos municípios do interior do Pará, e que se transforma em animais,
tais como coruja, porco, tatu e preguiça. Dizem que é a parteira, a
curandeira, a xamã, isto é, mulheres maduras que não aceitaram a
submissão dos homens e vivem sozinhas. Elas são as matintas, as
“bruxas brasileiras”.
Suas
aparições costumam ser repentinas e da mesma forma, desaparecem. A
aparência da matinta é assombrosa, pois se veste com um camisolão
grande de cores escuras e põe o cabelo todo para frente cobrindo o
rosto, com o objetivo de não ser reconhecida. Durante a noite, sai
pelas ruas pedindo tabaco para as pessoas. Também, afirmam que quando
alguém duvida de sua existência ou maltrata a floresta e os animais,
ela dá uma surra na pessoa.
Dia
do Saci
A
iniciativa do vereador comunista não é isolada. Em São Paulo, na
pequena cidade de São Luís do Paraitinga, no Vale do Paraíba, será
votado hoje um projeto de lei que visa transformar o 31 de outubro em
Dia do Saci. A idéia é substituir a comemoração, principalmente nas
escolas. Em vez de bruxas e gnomos, a manifestação cultural teria
mulas-sem-cabeça, sacis e outras figuras folclóricas que explorem mais
as tradições brasileiras.
Um
dos autores do projeto, vereador Marcelo Toledo (PT), afirma que a
iniciativa faz parte de uma mobilização nacional encabeçada pela
Sociedade dos Observadores do Saci (Sosaci), que tem como objetivo
promover a cultura brasileira. Um dos fundadores da entidade, Manuel
Lume, conta que o grupo está organizando uma proposta para ser
apresentada ao governo, para instituir o Dia do Saci no dia 31 de
outubro.
|

|
|
Na
montagem, cartaz do movimento MV-Brasil grudado em muro do
Fluminense, no Rio de Janeiro; o Saci brasileiro e a abóbora do
Halloween americano
|
Quem
também embarcou na mobilização anti-Halloween foi o movimento
MV-Brasil, conhecido pelos slogans "Halloween é o cacete; Viva a
cultura nacional", "USA resistir é preciso.
Viva o Brasil", entre outros.
Wagner
Vasconcelos, um dos líderes do movimento, diz que o “Aloveêm”,
como ele pronuncia, é mais uma das concessões culturais abusivas que
fazemos aos norte-americanos. “Não somos contra o intercâmbio
cultural, mas o problema é que na relação Estados Unidos–Brasil, só
vêm deles para a gente. Isso não é troca, é abuso”, lamenta. O
movimento já confeccionou 350 cartazes anti-Halloween para serem
colocados em 110 bairros da cidade do Rio.
Um dos argumentos do MV-Brasil é que língua, cultura e economia andam
de mãos dadas: “É tudo fruto da soberania econômica dos Estados
Unidos. Eles sabem que a cultura é o caminho para exercer o domínio
econômico”, diz Wagner. E continua: “Enquanto temos milhões de
descendentes de italianos, alemães e portugueses, o número de originários
de ingleses e norte-americanos é ínfimo. Por que então importamos
essas manifestações culturais, que nada têm a ver com a gente? Dia 22
de agosto é Dia do Folclore e ninguém sabe disso. E olha que temos um
dos folclores mais ricos do mundo”, salienta.
|