Jornal do Brasil - 23/01/2004
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Juiz matogrossense é aclamado herói por nacionalistas

Rafael Sento Sé
Especial para o JB

A rotina de recepções calorosas aos turistas americanos no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, iniciadas com o processo de identificação, teve um novo capítulo ontem. Os visitantes, recebidos na semana passada por passistas, ao som de samba, escutaram outro ritmo: o Hino da Pátria, sob a batuta de Wagner Vasconcelos, não mais de 15 integrantes do grupo nacionalista, MV-Brasil, famoso pelos cartazes contra os estrangeirismos no idioma português. No lugar de rosas, os visitantes receberam uma bandeirinha do Brasil e um panfleto em português, saudando o princípio da reciprocidade.

Com bandeiras e faixas, os manifestantes saudavam o trabalho feito pela Polícia Federal e aclamavam como herói nacional o juiz federal do Mato Grosso Julier Sebastião da Silva, responsável pela medida que obrigou o fichamento dos americanos. Quem disputou espaço com os nacionalistas foram as placas dos agentes de viagens. Apesar de concordarem com os manifestantes, nem todos ficaram satisfeitos com o tumulto no desembarque.

- Eles estavam todos no canto, agora vieram para cá. Não sou contra a manifestação, mas eles estão bem na frente - reclamou Frank Assis, que corria de um lado para o outro a cada visitante que saía do portão.

Apesar de ter como público-alvo os americanos, Wagner Vasconcelos acredita que o panfleto em português não foi problema para os visitantes estrangeiros compreenderem a mensagem do protesto.

- Quem não entende o idioma pede ajuda para alguém. Não tivemos tempo de traduzir, mas com o tipo de trabalho visual, o turista entendeu - considera Wagner.

O líder do grupo acredita que o princípio de reciprocidade pode ser o início de uma relaçõa mais igualitária com as outras nações.

- O abuso não é restrito ao visto. Se estende a todas as áreas, como a economia.

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