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Jornal
A Cidade (Ribeirão Preto) - 12/06/2005
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Eleitor terá de
votar novamente em outubro
Evandro Spinelli
Aquele ritual de sair de casa em um
domingo geralmente ensolarado e se dirigir a uma escola para digitar
alguns números em urnas eletrônicas com a esperança de poder mudar
alguma coisa no país, que costuma ser nos anos pares, ocorrerá
excepcionalmente também neste ano. Prepare seu título de eleitor
para, provavelmente em 23 de outubro, votar de novo.
Desta vez, no entanto, o voto não será em candidatos. O eleitor
precisará responder à seguinte pergunta: “O comércio de armas de
fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”.
O referendo sobre a venda de armas no país está previsto pelo
Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003 pelo Congresso Nacional e
regulamentado em julho do ano passado pela Presidência da República.
O voto será obrigatório.
Antes da votação, defensores e opositores da tese de desarmamento da
população poderão apresentar suas posições em programas de TV e de
rádio do mesmo jeito que fazem os candidatos em época de eleição.
E os debates serão acirrados. Entidades e deputados federais estão
se organizando para criar os comitês oficiais responsáveis pela
defesa de uma e de outra tese. Esses comitês, além de ficarem
responsáveis pelos programas de TV, também poderão arrecadar
recursos para o financiamento da campanha.
As regras para o referendo e a campanha ainda não foram definidas. O
TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apresentará as normas somente
depois que o Congresso Nacional aprovar o projeto de decreto
legislativo que marca o referendo.
Sim, porque apesar de previsto no Estatuto do Desarmamento aprovado
há 18 meses, até agora não há uma determinação legal para a sua
realização.
O projeto que estabelece a data e a pergunta do referendo está
pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados, última
etapa de sua tramitação legislativa.
Ocorre que a pauta da Câmara está trancada por seis medidas
provisórias.
E, no meio da crise política que atacou Brasília na semana passada,
é possível que demore um pouco para a desobstrução da pauta.
Custos
O TSE estima em R$ 250 milhões o gasto para a organização da
votação, que contará com 122 milhões de eleitores e mais de 400 mil
urnas eletrônicas. Além disso, o TSE quer aproveitar o referendo
para promover um recadastramento eleitoral e substituição do título
de 21 milhões de pessoas nos Estados de Minas Gerais, Maranhão,
Tocantins, Mato Grosso e no Distrito Federal.
A propósito do referendo, o debate na sociedade já começou. O
governo anuncia que a campanha de desarmamento que promoveu reduziu
os índices de violência. Dados do Ministério da Saúde apontam a
redução das internações hospitalares por ferimentos por arma de fogo
nos hospitais do Rio caíram 10,5%. Em São Paulo, a queda foi de 7%.
“A arma sempre pode causar a violência até imotivada ou ocasional”,
defende Rubens Aprobato Machado, ex-presidente do conselho nacional
da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). “O grande problema é que
precisamos desarmar também aqueles que estão fora da lei.”
Para os críticos do desarmamento, a violência não diminuiu com a
retirada das armas de circulação.
“O desarmamento se mostrou completamente ineficaz e ineficiente no
combate à criminalidade”, defende o professor Benê Barbosa,
presidente do movimento Viva Brasil, com sede em São Paulo.
“Criminoso não compra arma em loja, não entrega arma em campanha do
governo e não escolhe arma para cometer crimes.”
Já Wagner Vasconcelos, um dos coordenadores do MV-Brasil (Movimento
pela Valorização da Cultura, do Idioma e das Riquezas do Brasil),
com sede no Rio de Janeiro, tem uma tese um pouco mais complexa.
Para ele, o desarmamento civil não é uma questão apenas de segurança
pública, mas de defesa nacional.
“Existe no mundo uma quadrilha internacional privada que colocou em
curso uma campanha para desarmar os Estados nacionais para que eles
estejam no comando. Essa quadrilha internacional é formada por
aproximadamente 250 famílias que estão, de fato, no comando da
humanidade. O projeto de desarmar os países tem o objetivo de
aplicar uma ditadura internacional privada”, diz Vasconcelos.
Ele tem ainda outros argumentos para defender o uso de armas pela
população. Para o coordenador do MV-Brasil, as armas de fogo nas
mãos de “cidadãos de bem” evitam mais violência do que geram, pois
inibem a ação dos bandidos. “Estudos sérios mostram que a cada
quatro atos de violência evitados pelas armas de fogo você gera
apenas um ato.”voltar
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